O deserto da Quaresma: caminho profícuo para a fé e a conversão
- Equipe Perpétuo Socorro

- 20 de fev.
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“Rasgai os vossos corações, e não as vossas vestes; voltai ao Senhor vosso Deus...” (Joel, 2,13)

Iniciamos o caminho quaresmal, o caminho de quarenta dias para a Páscoa, para o coração do ano litúrgico e da fé. O termo “Quaresma” deriva do latim quadragésima dies, indicando o caminho que segue aquele de Jesus, que se retirou por quarenta dias para rezar e jejuar, tentado pelo diabo, no deserto (Mateus, 4:1-11 e Lucas, 4:1-13).
Portanto, é um tempo sagrado que o católico deve dedicar a práticas de penitência, de oração e de caridade, possibilitando que todos se aproximem mais de Deus. Para o Pe. Thiago Azevedo, pároco da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, esse período é um tempo de silêncio, de escuta, de sairmos do lugar comum para caminhar em uma estrada que tem uma meta segura: a Páscoa da ressurreição.
“Trata-se de um período de 40 dias, nos quais as orações são intensificadas e todas as pessoas são convidadas a fazer uma grande reflexão sobre sua relação com Deus, consigo mesmo e com o próximo. Essa preparação, portanto, consiste em olhar para si mesmo e reconhecer os pontos que ainda são empecilhos para celebrar, com todo o fervor, a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte”, afirma o pároco.
A Quaresma atinge o seu ápice durante a Semana Santa, que começa no Domingo de Ramos e termina no Domingo de Páscoa, passando pelo Tríduo Pascal, que compreende a Quinta-Feira Santa, a Sexta-Feira Santa (Paixão do Senhor) e o Sábado Santo (Vigília Pascal).
E para viver plenamente esse período, a própria Igreja Católica nos apresenta três práticas que podem e devem ser vivenciadas, com mais intensidade: a oração, a penitência e a caridade. “Esses exercícios visam um bom relacionamento com Deus (oração), consigo mesmo (penitência) e com o próximo (caridade). Além disso, a Igreja no Brasil nos apresenta a Campanha da Fraternidade como meio concreto de vivenciar o tempo quaresmal”, destaca Pe. Thiago.
Jejum e penitência
O jejum é uma forma de penitência e fortalecimento espiritual, como ensinou Jesus (Mt 6,16-18). Segundo o Pe. Thiago, existem várias formas de jejuar, mas o jeito mais comum consiste em se abster de uma refeição completa durante o dia, comendo moderadamente no demais momentos. “Os dias obrigatórios para a prática do jejum são a Quarta-Feira de Cinzas e a Sexta-Feira Santa. É importante ressaltar que o jejum deve ser oferecido a Deus como atitude espiritual e, ao mesmo tempo, nos despertar para a solidariedade com os que têm pouco ou nada para comer”, disse.
Já a penitência não se resume à renúncia. Ela deve ser vivenciada na perspectiva da conversão, que nos aproxima mais de Deus, do Pai Eterno. Para o Pe. Thiago, todas as formas de penitência são exercícios que nos ajudam a lidar com os nossos instintos e desejos, uma vez que essas realidades podem se apresentar de forma desordenada, prejudicando nossa relação com Deus, com nós mesmos e com o outro.
“Deste modo, a penitência adquire um valor espiritual e pedagógico, tendo em vista o aperfeiçoamento de cada pessoa. Quando eu abro mão de algo que gosto de comer ou fazer, ainda que seja por tempo determinado, isso deve me levar a compreender que a realidade renunciada não é tão essencial como eu pensava. Como consequência espiritual, essa abstinência devolve a Deus o lugar que lhe é devido: o centro da minha vida”, ressaltou o pároco.
O período quaresmal começou oficialmente na quarta-feira (18), com a participação dos católicos na Santa Missa e com a imposição das cinzas durante a liturgia, que servem como um sinal visível de humildade e arrependimento.
Jesus está esperando por nós no deserto. Então, o ideal é aproveitarmos este período para meditar ainda mais sobre a Paixão de Nosso Senhor e nos perguntarmos: nossos propósitos, penitências e sacrifícios têm no ajudado a entrar em sintonia com a vontade divina?





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